Eu falei com vocês, em outra reflexão, sobre um tema que reluz em pluralidade. Ele pediu para eu vir novamente, na condição de falar o suficiente e não dar força aos pixels. Continuo tentando. Para isso, peço que abram comigo os dez sentidos para a semana de moda da neurociência, visto que cinco são percepções old-fashioned no discernir entre cristais e ouros.
Estejam abertos para a nova tendência, que foi nos anos 80 do século passado e será nos 80 deste século. Confesso que continuo tentando, já com menos tempo agora, contextualizá-los perante o tornado de pensamentos que assola cada palavra estruturada para estar aqui. É impossível não se entrelaçar com o que Ele as imprime.
No pensar em como escrever, veio-me de pronto à mente o que falo a respeito Dele e tive uma epifania no cosmo. A ação que eu lhe atribuía, absolutamente, nada o significa. Uma constelação de iguais com certeza o contextualiza exatamente desta forma: “Nada é por Acaso.” Porque se fosse: “O Nada é por Acaso”, eu titubearia. A primeira, para mim, simboliza dois vetores da Mecânica (princípio da Física), que se anulam em sentidos opostos, fato que tensiona meu pensamento a posicioná-lo como sujeito no presente, passado e futuro. Percebo que: O Acaso é.
Uau! Alívio imediato posto à prova neste enredo coletivo de repetir uma resultante nula. Depois da epifania, cabum! Naquele momento, eu pensava que, se Ele “é”, somente existirá uma resultante, fisicamente não nula. O verbo “ser” conjugado por Ele não me parece uma estátua greco-romana, que carrega o que foi é o que é, sem um direcionamento. Este “é”, para meu cabum, ressoou como movimento vibracional, concatenado com o “será”. Todavia, de alguma forma, também com o que “foi”. Assim, descobri: O Acaso é.
Não “cabumem” pacientes reumáticos, porque sei que vocês conhecem esta linguagem de alguma forma. Talvez, alguns não-reumáticos “cabumaram” no segundo parágrafo. Entretanto, todos que ainda desejam permanecer para o segundo tempo, sugiro um fôlego, porque seu time está entrando para as semifinais.
Seja qual time você escolha, o que percebi estudando o assunto é que os treinadores dos times sobre o Acaso, contrataram-se para confortar, de forma estratégica, aquilo que na época significava o sintoma e o sentimento. A dilemática díade que os pacientes reumáticos conhecem como a palma da mão. Eu posso estar sendo presunçoso ou até mesmo leviano, mas acho que democraticamente devo abrir a oportunidade de jogar no time do Acaso, porque percebi que houve irregularidades redundantes nas apostas das “Bets” pelos times. Por isso entendo que: O Acaso é.
Agora, escolham seus times no campeonato brasileiro do Acaso. São quatro grandes equipes: vertente cientificista, científica aberta ao mistério, filosófico-espiritual e filosofia do absurdo. Uma analogia futebolística contempla quatro — penso que haveria quartas de finais, mas optei por algo mais amistoso — os quais percebem a presença da “Gorduchinha” (Acaso), porém alguns preferem o capotão e outros a sintética moderna. Depois das “Bets” historicamente tendenciosas, eu acho que somente é Bola. Porém, quem sou eu no mundo deste futebol? Vamos para as semifinais, porque era para falar pouco e já disse muito, diante do que: O Acaso é.
Sendo assim, para me ausentar de qualquer Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das apostas on-line, vou deixar o placar do jogo abaixo com quatro manifestações históricas supridas pelo Acaso, perante as clamadas necessidades humanas sustentadas pela dor da época. Logo, encontro-te nas finais.
Placar do jogo para reflexão:
Placar 1 (1796): Descoberta da vacina da varíola por Edward Jenner (1749-1823) versus Final da Revolução Francesa e auge do Iluminismo. [Após notar que ordenhadoras que contraíam variola não pegavam a humana, testou o método em um menino, criando a primeira vacina].
Placar 2 (1895): Descoberta do Raio-X por Conrad Röntgen (1845-1923) versus auge da II Revolução Industrial. [Ao investigar raios catódicos, percebeu que uma tela fluorescente brilhava mesmo à distância, revelando imagens internas do corpo].
Placar 3 (1921): Descoberta da Insulina por Frederick Banting (1891-1941) e Charles Best (1899-1978) versus Final da I Guerra Mundial e auge da Gripe Espanhola. [Ao ligar ductos pancreáticos de cães, observaram que extratos de pâncreas controlavam a glicemia, salvando o primeiro paciente em 1922].
Placar 4 (1929): Descoberta da penicilina por Alexander Fleming (1881-1955) versus Período Entre-Guerras (I e II Guerras Mundiais). [Notou que colônias de fungos contaminantes inibiam o crescimento de bactérias em placas de cultura. Salvou milhões, que morriam de infecção por feridas da guerra].