O tratamento de um acometimento crônico, na visão contemporânea de decisões compartilhadas com os pacientes, abre inúmeros caminhos dignos de grandes histórias. É riquíssima cada trajetória, porque a doença reumática se significa de forma diversa em essência em cada vida, ou seja, em cada sintoma e sentimento.
Os porquês são como mensageiros frenéticos, que acompanham o paciente e o médico no percurso de cada doença reumática. Os questionamentos sobre por que eu, como surgiu e se existe cura é o tripé deles com um ponto fraco de lisura, quando de repente o acaso surge para desmontar o poder que os mesmos se aportam em alavancar ou paralisar.
O reumatologista é um tanto quanto curioso de instinto. Às vezes, não sabemos muitos dos porquês e mesmo assim nos aventuramos em dar respostas objetivas em um cenário muitas vezes subjetivo. Um destes cenários que permeia a cabeça do paciente é a popular remissão (diminuição ou ausência de sintomas). A semântica, frequentemente confundida com cura, é tema revisitado pela especialidade, mas que vai de encontro a um importante porquê do paciente que as similarizam e, como especialistas, cabe-nos discerní-las.
Hoje, na estratégia Treat to Target (tratar o alvo), vulgo T2T, visando que doenças reumáticas inflamatórias sejam controladas mais rapidamente e com isso se mantenham sustentadas por medidas objetivas expressas nas clinimetrias (calculadoras matemáticas de atividade da doença), o assunto remissão ficou em relevância e vulnerável à infodemia (excesso de informações dúbias). Há um desentendimento que tangencia a questão Health Literacy (letramento em saúde). Simplificando, letramento do paciente reumático seria a capacidade de aprendizagem na linguagem fluida sobre sua condição de saúde, porém incorremos ao falar com o mesmo como se fosse nosso colega de profissão.
Desta forma, o termo remissão é posto infodemicamente:ao paciente, o qual se vulnerabiliza diante das mídias digitais e do próprio porquê frenético que qualquer ser humano possuiria frente ao termo crônico sufixado no seu diagnóstico.
O Colégio Americano de Reumatologia (ACR) e a Liga Europeia Contra o Reumatismo (EULAR) são as entidades acadêmicas que curiosamente se esforçam a trazer a melhor resposta ao paciente sobre remissão. Cada doença reumática tem suas peculiaridades ao se falar sobre remissão. Eu trago como exemplo a artrite reumatoide (AR).
Os critérios booleanos de remissão (ACR/EULAR) para AR incluem:
A questão do tempo para remissão é recorrente e algo ainda discutido. Alguns estudos dizem em torno de seis meses e outros dizem a partir do momento em que os critérios booleanos são atingidos. Por isso, a estratégia T2T é importante neste contexto como colaboradora a levar o paciente à remissão. A cronologia ainda é permeada por variáveis não contabilizadas diretamente nos critérios, como ausência de sinais clínicos da doença, exames laboratoriais estáveis, ausência de novas lesões ou progressões radiológicas e ainda baixa ou nenhuma necessidade de medicação.
A palavra cure-like state,:presente nos textos de alguns artigos, é tendenciosa, infodêmica e deve ser didaticamente explicada ao paciente para não haver confusões de entendimento que podem alimentar o sintoma e, por conseguinte, o sentimento de algo que objetivamente não conseguiremos explicar.
Por fim, mas ainda em tempo, voltemos ao acaso de que pouco falei neste texto para justamente ouvir você: nós conseguimos explicar científica e objetivamente aquele que desparalisa e desalavanca? Desta forma, você credita àquele a cura?
Cliquem na minha logo ao lado para falarmos sobre e como posso lhe ajudar adiante.