Os intestinos, nossos egos

Uma linha de pesquisa em Reumatologia da Nature, importante revista científica mundial, vem contextualizando a importância da saúde intestinal no sistema imune. O desequilíbrio da flora intestinal associado a outros fatores pode ser uma explicação para o surgimento de algumas doenças reumáticas.

Wester Nishimura | Ziguezagueando | 01/07/2025 às 17:34

 Os intestinos passaram a ser foco de atenção da Medicina nos últimos tempos. Sua correlação com alguns distúrbios de comportamento, como depressão, mudou a visão da Medicina sobre o funcionamento do cérebro. O mutualismo entre as bactérias presentes nos mesmos e algumas funções do nosso organismo podem explicar a longa jornada da nossa existência na Terra.

Todos os dias sobrevivemos graças ao sistema imune que nos protege de microorganismos agressores. Pode parecer um paradoxo, contudo ele possui intrínseca relação com nossos intestinos e nossa microbiota, as “bactérias do bem”. São inúmeros tipos de bactérias presentes no intestino que, em equilíbrio colaborativo estabelecido há milhares de anos, levam-nos a crer no fato de que sem colaboração somos vulneráveis neste planeta.

 Assim, fornecemos para elas comida e elas, por sua vez, fornecem-nos produtos de seu metabolismo que suprem necessidades locais no intestino para defesa das “bactérias do mal” e outros microorganismos. Ao mesmo tempo, nesta sinfonia de cooperação, estas “bactérias do bem” interagem com células do nosso sistema imune, calibrando a ação delas para funcionarem na devida proporção, nem mais, nem menos.

 Diversos estudos na área da Reumatologia sugerem que uma disbiose (desequilíbrio da flora intestinal) pode estar relacionada ao desenvolvimento de algumas doenças reumáticas, como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, espondilite anquilosante, esclerose sistêmica, entre outras. O que pode explicar o desbalanço das células de defesa que agridem o organismo do paciente reumático na vigência da doença.

 Ainda é cedo para falarmos em tratamentos de doença reumática com probióticos (“bactérias do bem”), prebióticos (fibras que não são digeridas) ou simbióticos (associação das duas anteriores), contudo sabemos que a alimentação é algo muito importante nos pacientes com doenças autoimunes por colaborar com o meio ambiente intestinal onde vivem nossas companheiras e fiéis amigas de milhões de anos. Diante destes achados científicos, eu trago uma paráfrase para refletirmos: “intestinos sãos, imunidade sã”.

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