O factivo preâmbulo é que somos feitos de fases.
No emaranhado atravessado de sermos únicos, impuseram-nos dicotômicos:
— Lua e sol.
À revelia. Simplesmente assim.
Quando — a pele rompe no mundo — presenciamos tantos.
As primeiras dualidades não vividas.
Não pela lua e sol, mas por aquela que os separa; como eles, somos feitos de fases.
Entretanto, seríamos acorrentados em dois entre as fases, vivendo a delegada prisão sortida de levantes íntimos — cruel circadiano destinado — em dois:
Dorso com dorso.
Côncavo e côncavo.
Como um rio entre dois cânions, rompendo a pele como um alívio dual.
O final de ano — sincero estar com a derradeira música de sempre na cabeça — o velho e o novo certamente me ensina.
Somos completamente circadianos, contidos na espera.
Uma certa geração de nós cansou de ouvir:
— Senta que lá vem a história…
Entretanto, assim como Papai Noel, era só uma brincadeirinha de mentirinha.
Soníferos.
Ninguém espera por aquilo que jamais quer ter.
Brincadeiras de humor pálido, feitas pelos mais velhos; algo hereditário e circadiano.
Como um contêiner dualístico e autodeterminado em nós — a espera — pensa pálido em nos fazer com o tempo.
Pensando com o que me tornei, elucubrei a hipótese de que a doença reumática é uma variável no tempo.
Uma segunda pele sob o contêiner.
Eu tenho certeza de que, se todos soubessem, não teriam sentado para ouvir a história. Contudo, é a história de cada um dos acometidos que se compõe nas diversas cores que uma paleta pode ter.
São tantos contêineres e contidos em tantas cores.
As mudas de ano demonstram-me, na natureza dos répteis e insetos, um vislumbre de melhora analgésica nas intempéries de suas cores. Expandem-se e se rompem na pele ou na quitina por não caberem mais na superficialidade que os envolve. Não há espaço para palidez ali.
Momentaneamente, a espera sucumbe.
Assim, chego à conclusão de que o romper de dentro para fora seja o grande desafio de muitos na dualidade das fases. Eu sei que dói, mas também sei que passa.
Eu não digo de todos, porque compreendo que alguns preferem perambular entre as fases.
À contento. Simples assim.
Desejo a todos um 2026 cheio de cores e conquistas!
Ziguezagueando comigo nos nossos caminhos.