Fatos da Inteligência

Wester Nishimura | Ziguezagueando |11/05/2026 às 01:19h

 

Sonhar acordado é um jargão comum que pode ser parametrizado.

Alguns, diante de fatos, preferem dormir — sublimando-os em sonhos.

Outros, entretanto, levam-nos para dormir — aconchego infantil dúbio.

Uns outros tantos, como eu, apenas sonham acordados, na neurose coletiva que permeia todos os parametrizados. Pressuponho que fatos em afasia presente e perene tornam-se desta forma perecíveis pelo cansaço.

Em meu humilde ponto de vista, fatos nunca coabitam o mesmo paladar de iguarias combinadas — logo no inverno que se aproxima — como um bom queijo e vinho.

Tenho certeza de que dormir é um rito nobre e intrínseco. Então, opto por sonhar acordado, tentando criar a astúcia real daquilo que posso ver dos fatos calados, ludibriando o cérebro antes que apague as luzes e instale o breu no barraco da bagunça.

Os fatos devidos são a turma da “saideira” e surpreendem na hora de dividir a conta — argumentos persuasivos de boteco — camuflados naquilo que são: arautos da verdade.

Meu rito vigio, prepara-me para um incerto irracional da conta mal dividida, até que as arguições factuais se revelem na realidade armada e concreta — marca da brasa no gado — impressa em meu invólucro de couro, que ainda sustenta laivos do mel embebido de mim.

Abelhas produzem o melhor mel em sazonalidades; os períodos sazonais ilustram sabedorias genuínas sobre iguarias. Por outro lado — sonâmbulos — datas comemorativas dedilhadas traçam em artifícios sazonais uma inteligência diária que afeta nossa saúde integral.

Uma, prenunciada na semântica do doce, insiste em simular o sabor, e vejo oportunidade contemporânea nos fatos.

A história distorcida do doce pagão, validada anualmente na terra do Halloween, é um pilar de fatos cheios de enfeites lucrativos.

Em um certo ano, tive a revelação que me aporrinhava o pensamento. Sob minha visão particular e sistemática — contrariando o tio Sam e seu dedo de culpa — concluí que seria melhor para o intento o nome Holidaymask.

Cravei meu ponto crítico na abóbora comemorativa. O fruto, que nos remete ao arquétipo feminino simbólico, caricaturou-se em uma bruxesca escultura revalidada nos tempos de Salem, rotulando crenças e retirando propósitos.

Magia negra dissonante.

A carochinha de não aceitar doce da mão de um estranho distorce-me a cognição apreendida no embranquecer de minhas pestanas.

A sequência — que não é de camarão — criada vem bem a calhar aos intuitos imperialistas:

— Eles dão o doce; tiram o doce; tiram e dão o doce; até que não sabemos mais reconhecer o doce. Porque, no final, o que eles sempre quiseram eram os méis embebidos.

— Doces ou travessuras?!

— Redes sociais ou inteligência artificial (IA)?!

Eu prefiro pamonhas de Pirrrarrcirrrcaba.

Todavia, são bem capazes de transformar “Rio Negro” em plástico com borracha, na bota do Solimões. Não duvido ainda serem capazes de transmutar o “Solimões” em rodinha para o carrinho: “Rolimões”.

Absolutamente, sem limites territorialistas.

Penso nestes momentos em minhas raízes:

— Tão bão seria se nóis pudesse tocar uma moda de viola e puxar uma paia na simpricidade, sô.

— Eita, nóis, sô…que confusão é essa?

A rapadura é doce e dura — no âmago, lambuzem-se — verdadeira ambrosia de ser o que somos sem espelhos corruptos de cristais líquidos e voláteis.

— Doces ou travessuras?!

Óbvio que temos prazo para resposta tarifária. O frenesi alimentar adocicado dos insurretos vampiros de seiva sustenta a falta das máscaras somente no Holidaymask, afinal, é confundindo na massa que eles podem ser algo, por mais breve que seja o período.

Quando as máscaras realocam, o descontinho na compra varejista do combo Big (doces e travessuras) acaba, e o atacado às ovelhas reinicia com o mesmo jargão não parametrizado:

— Validem-me ou te devoro.

Orgia negra.

No zoomorfismo de outubro, somos ovelhas ou gados, vulneráveis para o abate.

Eles são seres da pior faceta de nós mesmos. Sobrevivem empilhados em níveis corporativos hierárquicos, de…titubeei aqui em usar a melhor palavra…

Pensei na palavra “abuso”, entretanto aprendi que dar o nome certo confunde algoritmos treinados na resposta distorcida da palavra-chave repetida nas redes de pesquisa.

Desta forma, nomeio-os com o adjetivo que me faz mais nexo:

— Maldade.

Pronto! Contenda armada na comuna do abate:

— Não confio. Não me vejo. Não me validam.

— Quero ser validado.

— Fui cancelado.

— Se consegue nova validação, valida-se fora de si, em tela de cristal líquido de enganos.

A vida não importa.

É exportada, com rígidas tarifas alfandegárias sobre os doces.

Afinal, cadê o doce? O sutil paladar infantil?

Lembro-me do bolinho de chuva em uma tarde — de chuva — no sítio da vó ouvindo gente grande deitado na rede:

— Oia, cumpade e cumade…

— Esse trem aí não é pá quarquer um naum…

Não é mesmo.

Assim, um dia desses, na beira de um leito, cuidando de uma paciente na experiência de quase…digamos…vida, sonhei acordado na concretude dos fatos.

O manifesto foi um pesadelo epiléptico sensorial, consoante à catarse vindoura de um fato assombroso transmitido em baixos decibéis pelos lábios da “marimbonda.”

Eu perguntei o que ela estava sentindo; ela disse, murmurando:

— Eu queria….”ar.”

De súbito, projetaram-me de olhos abertos ao futuro mais perto do certo. Não me recordo de ser tão próximo, mas, pela controvérsia do estado pós-ictal, poderia ser certamente agora.

Dei-me conta da paciente, onipresente, suspensa em um campo magnético — catatônica — no mesmo leito sem beira.

Visita médica sem eira nem beira.

No futuro, fui inserido no agora. Uma tela em holograma abriu-se em minha fronte, produzida por um implante na glândula pineal. Descobriríamos adiante sua função binária — nossa essência — como peças sincrônicas de um pistão — permutando passado, presente e futuro. Entretanto, foi a grande ameaça de poder do eterno à criatura inteligente (IA).

A Primeira Guerra Sapiens-IA durou cento e cinquenta anos, até que nos exauriram por tecnologia ultraquântica, a última gota embebida de mel intrínseca de nós, responsável pela produção da energia mecânica dos pistões quânticos de poder.

Assassinaram a palatável confiança: a última marca no couro do gado.

O holograma, de repente, fecha-se.

Recordo-me do robô enfermeira, pedindo licença para aplicar uma caneta subcutânea futurista, nos moldes das atordoadas atuais — a priori desenvolvidas para altos níveis glicêmicos — a posteriori fantasiadas de Halloween pela fantástica indústria de chocolates da holding renomeada IF (Inteligência dos Fatos).

Foi a minha última memória no futuro.

Subitamente, senti um solavanco, como se um carro tivesse me abalroado. O murmúrio, agora semanticamente conjugado pelos suspiros da “marimbonda”, trouxe-me ao passado e agora presente a cognição de um fato:

Ela queria confiar.

Diagnóstico fechado: carência crônica de confiança.

Infelizmente, ao entardecer, mudei no prontuário o diagnóstico clínico para causa da morte: falência de múltiplos desejos.

A viagem nas entrelinhas sussurradas da falecida trouxe-me um souvenir em forma de antídoto ressaltado em um insight analógico taxonômico.

Nascemos como abelhas.

Somos como abelhas na ampla variedade fenotípica de sermos como elas.

O mel combustível produziu e ainda produz guerras e conflitos nos potes manipulados por “marimbondos” vazios do verdadeiro mel.

Se quisermos que a Rainha sobreviva, é primordial que, além do mel (nosso desejo), possamos seguir nas castas parametrizadas, produzindo a geleia real (nossa confiança).

Se pudermos coexistir assim, sabendo que o doce do mel é iguaria e não combina com melaço de cana-de-açúcar, teremos respostas prontas aos marimbondos na próxima Black Friday.

Direi o que sei:

— Não quero doces e muito menos travessuras.

Curta e consciente — picada apícola — confiante, poderosa, defensiva e repleta de “nãos.”

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